Os desequilíbrios ambientais constantemente provocados pelo homem, especialmente considerando o intenso crescimento da população mundial tem sido causadores de diversas modificações na qualidade de vida das pessoas, envolvendo também o favorecimento da incidência de doenças que se beneficiam dessas modificações promovidas por esses desequilíbrios. Enxentes, poluição dos rios, lagos e mar pelas indústrias e grandes centros urbanos, aumento da temperatura, proliferação de vetores, inexistência de saneamento em regiões habitadas, contaminação dos alimentos, poluição do ar e sonora são as principais formas de poluição existentes.
Doenças como leptospirose, leishmaniose, doença de chagas, febre amarela, salmonelose, verminoses diversas tornam-se um motivo de preocupação cada vez maior para as diferentes populações. O homem dos tempos atuais normalmente não visualiza que seu papel como ser individual, mas integrante à um ecossistema envolve responsabilidade ambiental e que pequenas atitudes como separar o lixo de sua residência para posterior reciclagem, não sair somente em seu carro particular, mas também usando o transporte público e não jogar lixo nas vias públicas podem reduzir substancialmente parte da problemática da poluição.
As previsões das pesquisas são alarmantes, pois a temperatura pode aumentar de 1,3 graus a 3,8 graus até 2100 e o oceano pode subir 0,5 metro. As noites mais quentes e as ondas de calor mais freqüentes provocariam maior risco de doenças como malária, dengue e febre amarela. Também haveria crescimento de infecções devido à água contaminada, a queda da produtividade agrícola e conseqüente agravamento da desnutrição. A Amazônia poderá deixar de absorver carbono e sua nova condição será a de emissor de gás-estufa.
Uma pesquisa da Organização das Nações Unidas elaborada por um período de quatro anos por 1500 especialistas de 95 países chamada Avaliação Ecossistêmica do Milênio alerta que a atividade humana solicitou tanto da natureza que não há mais garantia de que os ecossistemas do planeta sustentem as futuras gerações (Reid, 2005).
A temperatura média do ar no Brasil poderá aumentar ainda neste século de 25 graus (média entre 1961 e 1990) para 28,9 graus. O cenário desta ocorrência é de altas emissões de dióxido de carbono. Diversos insetos transmissores de doenças terão sua reprodução facilitada. A redução de chuvas e o aumento do número de incêndios florestais possibilitaria maior ocorrência de doenças respiratórias e as ondas de calor aumentaria o número de mortes, especialmente de crianças e idosos. A falta de planejamento urbano adequado tem provocado crescimento industrial desordenado em algumas cidades brasileiras. Fábricas e indústrias poluem o ar, o solo, as plantas e os mananciais hídricos e isso faz com que os seres vivos se tornem vulneráveis à toxidez de seus efluentes.
A qualidade dos alimentos fornecidos aos animais deve ser excelente para que os mesmos não venham a absorver poluentes ambientais e como conseqüência termos a população humana submetida ao risco de ingerir alimentos contaminados. Havendo a poluição da água, do solo e do capim, por exempo, poderemos ter como resultado a contaminação da fauna e, por fim, os animais de produção poderão levar os consumidores a quadros de intoxicação. O chumbo vem sendo considerado por muitos pesquisadores como o elemento químico inorgânico de maior risco à saúde dos animais de criação. Tendo-se como base esse raciocínio, podemos concluir que quando os animais de criação são atingidos pela contaminação por metais pesados isso pode levar à um potencial risco para a saúde pública.
É preciso aprimorar a atenção dada ao meio ambiente por meio do estabelecimento de políticas eficazes de gestão ambiental. Indústrias e centros urbanos necessitam criar metas para diminuição da emissão de poluentes, preservação e manutenção das riquezas naturais. Certamente o desenvolvimento de uma consciência ecológica proporcionará a melhoria da qualidade de vida tanto da população atual como das gerações futuras. A boa condição da saúde pública está relacionada à muitos fatores e o equilíbrio entre o homem e o meio ambiente é um dos mais importantes deles.
Fábio Luis Coelho - Médico Veterinário
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Gardênia Soares Bernardes - Acadêmica de Enfermagem
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Fontes consultadas:
CIÊNCIA e tecnologia no meio ambiente. Isto É, São Paulo, n. 1851, p.45-46, abr.2005.
FIGUEIREDO, Nébia Maria Almeida de. Ensinando a Cuidar em Saúde Pública. São Paulo: Yendis (2005).
GILMAN, A. G. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.p. 1061-1065.
IBAMA, www.ibama.gov.br
ONU, www.onu-brasil.org.br
Rouquayrol, Maria Zélia. Epidemiologia & Saúde. 6a ed. Rio de Janeiro: MEDSI (2003).
SCHNURRENBERGER, P.R., HUBBERT, W.T. Reporting of zoonotic diseases. American Journal of Epidemiology, v.112, n.1., p.23-31, 1980.
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